Meu segundo – e último – dia em Florença

Informações Práticas:

Hospedagem: Locanda di Firenze – Via Faenza 12, San Lorenzo, 50123 Florença. No post Minhas hospedagens na Itália, comentei sobre todos os hotéis que fiquei no país, com informações e dicas.

Quanto gastei no dia? 81,50 Euros (24,50 Euros com a diária do Hotel – diária de 49 Euros, dividida por dois viajantes; 22 Euros com as atrações turísticas; 35 Euros na cidade, com refeições, lembranças, etc)

Nota turística (de 0 a 10): Impossível não dar 10 para Florença 😉

Para saber sobre a cidade, veja o meu post: Informações e atrações de Florença

Roteiro do dia: Clique AQUI para ver o mapa no Google com o meu roteiro do dia!

Para não esperar horas na fila, acordei muito cedo e fui direto para visitar a Cúpula do Duomo. Também conhecido como a Basílica di Santa Maria del Fiore, o Duomo deslumbra a todos, principalmente com a sua maravilhosa cúpula – obra do aclamado arquiteto renascentista Brunelleschi e pelo Campanário, de Giotto.

São 463 degraus para chegar até à cúpula e não há nenhum elevador. Um AVISO muito importante: se você possui problemas cardíacos ou claustrofobia, NÃO suba! Além do calor infernal, a passagem com escadas é muito estreita e extremamente sufocante. Alguns turistas começaram a passar mal já no início e eu comecei quase no final. Ao chegar no topo, levei alguns minutos para me recuperar, pois fiquei tonto e com muita falta de ar… e olha que eu não tenho essas coisas, imagina quem já possui algum fator para isso. Mas, depois de tanto sacrifício, uma recompensa: a vista da cidade do topo da cúpula é magnífica.

12

A entrada para subir à cúpula é a esquerda do Duomo.

A subida para a cúpula

A subida para a cúpula

O interior da cúpula

O interior da cúpula

No topo da cúpula, a vista é deslumbrante.

No topo da cúpula, a vista é deslumbrante.

Para descer, o caminho é o mesmo. De repente, a fila para nos dois sentidos. Aqui começou o problema: fiquei em uma parte escura, minúscula, sem circulação de ar e com dezenas de turistas em volta. Comecei a suar frio! Sabe aqueles momentos que você sabe que vai desmaiar?! Eu me segurei na parede e, instintivamente, empurrei todo mundo até chegar em uma janela minúscula e colocar o rosto para fora. Minha camiseta ficou completamente encharcada de suor. Algumas meninas japonesas começaram a me abanar, falando em japonês. Evidentemente que eu não entendi nada. Quando a fila começou a andar novamente, pedi licença e desci o mais rápido possível. Ao sair, sentei no chão, mais branco do que papel, sem forças para ficar em pé. Afirmo: subir na cúpula é uma ótima atração, mas confesso que foi uma experiência um pouco traumática. Recuperado, inicie a busca por um restaurante para almoçar e repor as energias.

Em Florença há vários estabelecimentos que vendem pratos prontos ou sanduíches. Você pode escolher a vontade e eles esquentam. As vitrines são de encher os olhos. Entrei em um e pedi frango com batatas. O frango foi assado com alecrim e estava uma verdadeira delícia! Uma opção excelente, com baixo custo,  para almoçar.

14

Os pratos prontos de Florença!

Os sanduíches

Os sanduíches

Desenhos nas calçadas de artistas de ruas que reproduzem grandes obras.

Desenhos nas calçadas de artistas que reproduzem grandes obras.

Para descansar, fiquei sentado na praça tomando um sorvete e olhando para o relógio. Às 14h30 eu tinha um encontro marcado com o verdadeiro Davi, de Michelangelo, na Galeria dell´Accademia. Um pouco antes do horário previsto, fui em direção à galeria, que não é muito longe do centro da cidade. Para a Accademia, o mesmo processo para a Galeria Uffizi (Meu primeiro dia em Florença): comprei o ingresso antes pela internet e mais uma vez agradeci e quase chorei de emoção por não precisar ficar na imensa fila, com aquele sol, para comprar o bilhete. O guarda deixa entrar somente pequenos grupos, cada um em seu horário. Lembre-se: 15 minutos antes do seu horário, vá para a fila.

A Galeria da Academia foi fundada juntamente com a Academia de Belas Artes (Accademia di Belle Arti) em 1784 pelo então Grão-Duque da Toscana Pedro Leopoldo. O propósito da criação da Academia era estabelecer um centro de ensino de arte que agrupasse outras escolas existentes, como a já famosa Academia das Artes do Desenho (Accademia delle Arti del Disegno), tendo como sedes o Hospital de São Mateus e o Convento de São Nicolau de Cafaggio. A Galeria da Academia foi fundada, assim, para proporcionar aos estudantes acesso a um grupo seleto de obras de arte que serviriam como estímulo e exemplo para estudo e desenvolvimento dos futuros artistas.

Em 1873 trasladou-se o Davi de Michelangelo de sua posição original na Piazza della Signoria para dentro de um espaço especial da sede da Galeria, seguindo-se uma reorganização do material em acervo, passando algumas pinturas antigas para outros museus da cidade e obras mais recentes para o museu do Palácio Pitti. Por outro lado continuaram as aquisições, sendo dignas de nota as outras peças de Michelangelo, como a estátua de São Mateus em 1906, e as quatro esculturas dos Cativos, anteriormente nos Jardins de Boboli no Palácio Pitti.

Não há dúvidas sobre a beleza e importância das outras peças que compõem o acervo, mas a mais disputada e admirada é o Davi. Michelangelo foi um ser humano único. Até quem não acredita em bênçãos divinas fica em dúvida quando se depara com uma obra dele. Acredito que Deus deu uma “caprichada” ao criá-lo.  Não há outra explicação. Ao se aproximar da área onde está a obra, a vontade é de – desculpe o termo – soltar um imenso palavrão, daqueles que falamos quando é difícil acreditar em algo. É, simplesmente, divino! O mármore polido, as feições, a musculatura e os traços são perfeitos. Nas mãos, as veias saltam. Os detalhes das unhas dos pés são inacreditáveis. Não deixe de observar tudo, por todos os ângulos. Dica: se você quiser conhecer as obras e a vida de Michelangelo, uma excelente opção é assistir ao filme Agonia e Êxtase. No início, há um pequeno documentário sobre suas obras e algumas delas estão na Galeria dell’Accademia.

15

É proibido tirar fotos, mas eu não resisti!

Após observar todos os detalhes do Davi e das outras obras da galeria, segui para a Piazzale Michelangelo. Para chegar, é fácil: pode-se ir a pé (se tiver fôlego) ou pegar um ônibus (há vários que fazem o trajeto). A praça fica um pouco afastada do centro. Em cada ponto de ônibus pela cidade há placas informando se o veículo leva ao local. É lá que você vai ver uma das vistas mais magníficas da cidade, do rio Arno e suas colinas, com cópias de esculturas de Michelangelo, como o Davi.

Vista da Piazzale Michelangelo

Vista da Piazzale Michelangelo

Para apreciar a vista, voltei caminhando e segui para a próxima atração do roteiro: a Basílica de Santa Croce. Principal igreja franciscana de Florença, nela estão enterrados personagens ilustres como Michelangelo, Galileo Galilei, Maquiavel e Rossini. O exterior da igreja tem uma fachada em mármore policromado, acrescentado em 1863 e ofertado pelo benfeitor inglês Francis Sloane. A Basílica conserva os afrescos de Gaddi (1380), na capela-mor, que contam a história da Santa Cruz e os belos afrescos de Giotto e Peruzzi, mostrando cenas da vida de São Francisco e São João Evangelista. Observe a Anunciação, no arenito com arte de Donatello, que está na parede do corredor direito. Também não perca o túmulo do dramaturgo italiano Giovanni Battista Niccolini à esquerda da entrada, que afirmam ter inspirado a Estátua da Liberdade.

Basílica de Santa Croce

Basílica de Santa Croce

No meu roteiro não poderia faltar um dos símbolos da cidade: a Ponte Vecchio. Indo em direção à ponte, passei novamente pela Piazza della Signoria, que se tornou um dos meus locais prediletos da cidade. A Ponte Velha foi reconstruída em 1345 após as cheias de 1333 que a destruíram. Possui três arcos e abriga lojas, com antiquários e joalherias. Única ponte que escapou da destruição da Segunda Guerra, atrai milhares de turistas pela vista deslumbrante da cidade. Se você quiser comprar algo, já aviso: os preços são altíssimos!

Piazza della Signoria

Piazza della Signoria

O carrossel da cidade

O carrossel da cidade

A Ponte Vecchio

A Ponte Vecchio

Última parada do dia: a Basílica de Santa Maria Novella. Muito próxima da principal estação ferroviária da cidade, passou por diversas reformas. Arquitetonicamente, é uma das igrejas mais importantes em estilo gótico na Toscana. O exterior é o trabalho de Fra Jacopo Talenti e Leon Battista Alberti. O interior contém obras extraordinárias, incluindo a Trindade por Masaccio, afrescos de Ghirlandaio na Capela Tornabuoni e o Crucifixo por Giotto.

Santa_Maria_Novella

Basílica de Santa Maria Novella

E, depois de muito caminhar, aproveitando todas as maravilhas que Florença reserva ao ar livre, finalizei o roteiro do dia. Finalmente eu conheci uma das cidades que mais me encantaram durante a minha vida, com obras e atrações que faziam abrir um imenso sorriso em meu rosto. E, para terminar o dia com chave de ouro, um belo waffer com muita nutella!

11

Minha estadia em Florença foram de 6 dias: dois na cidade e quatro visitando outras cidades da região. Abaixo, a lista das cidades (se você clicar no nome, será direcionado para os posts):

PISA, LUCCA, SAN GIMIGNANO, SIENA, AREZZO, CORTONA E CINQUE TERRE.

Anúncios

Um comentário sobre “Meu segundo – e último – dia em Florença

  1. Boa tarde Marcio,
    Primeiramente ameiiiiiiiiii o seu blog sem dúvida um dos mais completos que li, parabéns. Estou organizando minha primeira viagem para a Itália em outubro e seu blog esta me ajudando bastante. Obrigada!!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s