Meu primeiro dia em Florença

Informações Práticas:

Hospedagem: Locanda di Firenze – Via Faenza 12, San Lorenzo, 50123 Florença. No post Minhas hospedagens na Itália, comentei sobre todos os hotéis que fiquei no país, com informações e dicas.

Quanto gastei no dia? 108,09 Euros (24,50 Euros com a diária do Hotel – diária de 49 Euros, dividida por dois viajantes; 26 Euros com a passagem de trem comprada antecipadamente; 24 Euros com as atrações turísticas; 33,59 Euros na cidade, com refeições, lembranças, etc)

Nota turística (de 0 a 10): Impossível não dar 10 para Florença 😉

Para saber sobre a cidade, veja o meu post: Informações e atrações de Florença

Roteiro do dia: Clique AQUI para ver o mapa no Google com o meu roteiro do dia!

O dia que deixei Veneza e segui para uma das maiores cidades da Itália foi melancólico. Arrumei minha mochila devagar e a saudade já apertava no peito. Se eu pudesse, com certeza ficaria mais alguns dias na cidade. Peguei o vaporetto e desci na Estação Santa Lucia. Admirei mais uma vez a imagem que me emocionou ao desembarcar em Veneza. Mas a vida segue e já estava quase na hora do trem partir para Florença, a cidades das artes!

Ao entrar no trem, uma surpresa: de um lado do vagão só havia japoneses e do outro somente brasileiros. Não sei se foi coincidência ou é regra da empresa unir todos os turistas da mesma nacionalidade. Em algumas horas eu estava na famosa Estação Santa Maria Novella, em Florença, e posso defini-la apenas com uma palavra: caos! Nunca vi, desde que cheguei na Itália, tantas pessoas reunidas em um só lugar. É para deixar qualquer um nervoso e sem orientação.

Como eu estava com um mapa todo detalhado foi fácil encontrar o hotel, mesmo um pouco atordoado com o barulho da estação. É normal sentir receio ao chegar em um hotel e foi o que senti ao entrar no Locanda di Firenze. Felizmente, o sentimento passou instantaneamente ao encontrar a Angélica, uma moça extremamente simpática que me atendeu e me mostrou o quarto. A entrada do hotel parece um albergue: uma grande mesa, com dezenas de livros, guias, etc. Ao ver o quarto, entrei e me joguei na cama repleto de felicidade: espaçoso, com frigobar e ar condicionado. Uma ótima opção, com excelente preço e próximo da estação, já que eu visitaria algumas cidades da região (Pisa, Lucca, San Gimignano, Siena, Arezzo, Cortona e Cinque Terre) utilizando Florença como cidade-base.

Depois de deixar e arrumar minhas coisas, conversei com a Angélica e ela pegou um mapa e, com muita gentileza, marcou todos os locais da cidade, inclusive o hotel, que se localiza muito perto da Basílica de San Lorenzo, próximo ao Duomo. Desci e encontrei uma rua movimentada, mas foi fácil encontrar um bom restaurante para almoçar. O Ciro e Sons é um lugar requintado, com lustres de vidro e um serviço de qualidade. E o melhor: preço justo! O restaurante é familiar e todos trabalham no local: um filho é chefe, o outro é o sommelier, os gêmeos são os garçons, etc. Muito charmoso!

Basílica de San Lorenzo

Basílica de San Lorenzo

Após o almoço, e alguns minutos demorados de caminhada, cheguei ao Duomo da cidade. Majestoso e deslumbrante, ele é mais imponente do que as fotos mostram. Repleto de detalhes, é uma das grandes atrações da cidade para os turistas, que se amontoam na entrada para admirar as cores, as janelas, etc. Dois nomes famosos compõem a arquitetura do Duomo de Firenzi: Brunelleschi (cúpula) e Giotto (campanário). Uma construção de beleza única. Mármores de diversas cores formam uma composição magnífica. Já o Batistério, em frente ao Duomo, é famoso pelos Portões do Paraíso, de Lorenzo Ghilbert, onde retratam temas bíblicos. Os originais estão no Museu Dell’Opera del Duomo.

O Duomo di Firenze

O Duomo di Firenze

Não entrei no Duomo e nem no Batistério por um motivo: meu bilhete para visitar a Galleria Uffizi estava marcado para às 14h30. Segui para a Piazza della Signoria, repleta de esculturas deslumbrantes, para aguardar o meu horário. A melhor definição para a praça: um museu ao céu aberto. Ao lado do grande Palazzo Vecchio e da Galleria Uffizi, é o lar de dezenas de esculturas (originais ou cópias) de artistas renomados, como o Davi, de Michelangelo (o original está na Accademia), O Rapto das Sabinas, de Giambologna; Fontana di Nettuno, de Ammannati e Perseu, de Cellini.

Perseu, de Cellini

Perseu, de Cellini

Próximo ao horário, segui para a fila da Galeria e mais uma vez agradeci imensamente por adquirir o bilhete pela internet. A fila para comprar o ingresso na hora era gigantesca e a fila para quem comprou o bilhete pela internet tinha, somente, duas pessoas. Realmente, é para agradecer muito! Troquei o voucher impresso pelo meu bilhete e segui para a entrada.

Réplica de Davi na Piazza della Signoria

Réplica de Davi na Piazza della Signoria

A Galeria Ufizzi, um dos maiores e mais importantes museus do mundo,  reúne obras de grandes nomes da história da arte. Projetado pelo arquiteto Vasari em 1560 para abrigar os escritórios (uffizi) dos magistrados florentinos, a pedido do duque Cosme I de Médici, o palácio é gigantesco e possui a forma de U, dividido em salas ou ambientes (aproximadamente 50). Se você realmente quiser ver tudo com calma, deixe reservado, no mínimo, quatro horas. E mais um conselho: deixe a câmera fotográfica guardada! Não é permitido fotos e há diversos guardas, inclusive à paisana, que se misturam no meio dos turistas, para fazer os desavisados cumprirem a regra.

As salas são muito bem organizadas e possuem os nomes dos períodos ou do pintor mais famoso exposto. Passei pela Lippi, Pollaiolo… e, de repente, vi uma pequena placa que, com certeza, eu enxergaria a muitos metros: Botticelli! Admito que meus olhos se encheram de água. As salas, com um barulho infernal, ficaram totalmente em silêncio. As pessoas, que estavam ao meu redor, sumiram. Não sei como consegui me mover devido à emoção mas, como em um passe de mágica, o quadro O Nascimento de Vênus surgiu em minha frente.

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O Nascimento de Vênus, de Botticelli – Foto: Wikipédia

Sinceramente, não sei como explicar o que senti naquele momento. Gostaria de encontrar alguma palavra, frase, ou algo que eu pudesse materializar a dimensão da minha emoção, mas é impossível. O quadro que sempre admirei, desde criança, estava ali, ao alcance das minhas mãos. Esperei muitos anos para estar ali e foi tudo como eu imaginei… Belo, estupendo, magnífico! Aviso a você, que está lendo esse relato: tente ao máximo realizar seus sonhos… Não há nada melhor nesse mundo!

Contra a minha vontade – ficaria horas naquela sala – segui em frente. Após voltar para a realidade, percebi que o quadro Primavera também estava exposto na sala, assim como outras diversas obras belíssimas de Botticelli. A sala ao lado é de outro pintor famoso mundialmente: Leonardo da Vinci. Da mesma forma, também é majestosa, com obras incríveis. Admirando as pinturas, é nítido o motivo pelo qual o nome desses pintores estão gravados na história.

Seguindo a visita, passei pela sala dos Mapas Geográficos, Dürer (com dois quadros – Adão e Eva – que ilustravam o livro Gênesis da Bíblia que a minha mãe tinha na cabeceira da cama), Mantegna, até chegar na sala Michelangelo. Como todos sabem, Michelangelo não era pintor… Era escultor (palavras dele), mas conseguiu produzir pinturas fantásticas (a Capela Sistina é um exemplo), como a Sagrada Família que está exposta na Galeria.

Raphael Sanzio, Tintoretto, Rubens, Caravaggio… O valor histórico e cultural das obras da Galeria é incalculável e merecem completamente a nossa admiração. Sai do local “convidado” pelos guardas, pois já estava na hora de fechar as portas. Sinceramente, é uma visita que ficará para sempre registrada em minha memória. Seria fantástico se todas as pessoas do mundo pudessem admirar a grandiosidade das belezas produzidas pelos artistas homenageados na Galeria…

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