Meu primeiro dia em Veneza

Informações Práticas:

Hospedagem: Hotel Caneva – Sestiere de Castello, 5515, Veneza . No post Minhas hospedagens na Itália, comentei sobre todos os hotéis que fiquei no país, com informações e dicas.

Quanto gastei no dia? 115,90 Euros (25 Euros com a diária do Hotel – diária de 50 Euros, dividida por dois viajantes; 9 Euros com a passagem de trem comprada antecipadamente; 33 Euros com o passe do Vaporetto; 18,50 Euros com atrações da cidade; 30,40 Euros na cidade, com refeições, lembranças, etc)

Nota turística (de 0 a 10):  Quem, em sã consciência, não dá 10 para Veneza?! 😉

Para saber sobre a cidade: veja os posts na categoria VENEZA.

Roteiro do dia: Clique AQUI para ver o mapa no Google com o meu roteiro do dia!

Lembro perfeitamente da tensão que senti nesse dia. Estava na estação de trem em Verona, deixando a cidade, e partindo para Veneza. Não poderia ficar calmo, pois a excitação para chegar o mais rápido possível na cidade era gigantesca. Finalmente o trem chegou, entrei e procurei o meu assento, pois comprei a minha passagem antecipadamente pelo site da Trenitalia.

Veja Informações, como chegar e dicas sobre Veneza no post Informações – Veneza.

Exatamente no horário e trem partiu. Para não perder tempo, comecei a folhear meu roteiro sobre a cidade. Uma senhora, que estava ao meu lado, perguntou: “Você é brasileiro?!”. Após a pergunta, iniciamos uma troca de experiências. Ela já estava na Europa há uma semana e contou que o seu sonho era conhecer Veneza, mas ficaria apenas um dia e, na manhã seguinte, partiria para Florença. Perguntei se apenas um dia não era pouco para a realização do sonho e ela respondeu: “Foi o roteiro imposto pela irmã, filha e sobrinha. Fui voto vencido!”

Quando as construções deram espaço para a imensidão de água, não prestei mais atenção no que a senhora falava. Disse: “Estamos chegando!” e notei a ansiedade dela, idêntica a minha, olhando pela janela. Chegamos em Veneza Mestre e algumas pessoas ficaram indecisas se desciam ali ou não. É comum as pessoas confundirem Veneza Mestre – a parte continental da cidade – e a Veneza ilha. Como não apareceu ninguém para dar informações, avisei a todos que a Veneza Ilha era a próxima parada, na estação Santa Lucia. Ninguém imaginou que também era a minha primeira vez na cidade porque, após a minha informação, várias pessoas vieram fazer perguntas sobre Veneza e suas atrações.

O trem partiu novamente e começou a atravessar a Ponte della Libertá. Em poucos minutos chegamos à Estação Santa Lucia. Ao sair do trem, continuei conversando com alguns turistas sobre a cidade. Alguns, afoitos, me perguntavam sobre as atrações da cidade, o que fazer, etc. Entendo que algumas pessoas possuem essa tendência, mas eu não consigo entender como alguém viaja para outro país sem planejar absolutamente nada…

Estação Santa Lucia

Estação Santa Lucia

Ao sair da estação e me deparar com a primeira imagem da cidade, não consegui resistir e chorei muito. A felicidade por realizar um sonho era gigantesca. Desde criança, um dos meus sonhos era estar ali, naquele mesmo local, admirando aquela imagem. E eu consegui!

Eu, admirando a primeira imagem de Veneza...

Eu, admirando a primeira imagem de Veneza…

Voltei para a realidade e fui em direção aos guichês para comprar o bilhete do vaporetto (veja como se locomover em Veneza  e como comprar o bilhete do vaporetto no post Informações – Veneza). Dica: Não compre o bilhete único – apenas uma viagem – para o vaporetto. Compre o bilhete referente a quantidade de dias que você ficará na cidade. Por exemplo: se você ficar dois dias, compre o bilhete para dois dias. É mais barato comprar por dia do que o bilhete único. E acredite: você vai precisar! Comprando o bilhete por dia, você tem direito à viagens ilimitadas durante o período de vigência do cartão. Como eu iria ficar três dias, comprei o bilhete para o mesmo número de dias. Você pode comprar para menos e, se precisar, recarregá-lo. Mas, já aviso: para recarregar o valor é mais alto. É melhor comprar para a quantidade de dias que você ficará na cidade direto.

Uma dica importantíssima: é imprescindível em Veneza uma mapa com as indicações do seu hotel, principalmente o número do vaporetto que você deve pegar e onde descer. Procure no site do hotel as indicações – quase todos possuem, inclusive com mapa – e, se não tiver, mande um email ou procure no Google Maps. A cidade é como um labirinto e se perder por entre as ruelas é facílimo. Para facilitar, dê preferência a hotéis próximos a pontos turísticos – não muito perto, devido ao preço – pois é muito mais fácil para se localizar. Se você quiser ver sobre minhas hospedagens na Itália, veja o post Minhas hospedagens na Itália

Os pontos de embarque e desembarque dos vaporettos são pequenas casas, com faixas amarelas e a indicação do nome da parada. Como funciona: você aguarda dentro da “casinha flutuante”. No interior, há indicações dos números dos vaporettos que param naquele ponto. Compre – ou tenha impresso da internet – o mapa das direções. É muito fácil se localizar, não se preocupe. Assim que o funcionário atracar e abrir a porta do vaporetto, entre! Se você demorar muito, ele fecha a porta, vai embora e não adianta pedir para ele esperar.

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Ponto de parada do Vaporetto. Foto: commons.wikimedia.org

Uma observação: existe uma pequena máquina para você passar o cartão para validar a sua entrada no barco. Vi somente italianos – e poucos turistas – realizarem a operação. A grande maioria entra e sai sem passar o cartão, ou seja, sem comprar o bilhete. Não há ninguém para controlar. No vaporetto, há apenas o funcionário que atraca o barco e abre a porta de entrada e saída. Os “espertinhos” fazem a festa… até aparecer um funcionário da empresa para fiscalização. Eu presenciei uma cena dessas: o controlador pediu o bilhete e o rapaz não tinha. Dava para escutar os berros do controlador de longe. Sem contar a multa que o rapaz levou que, provavelmente, foi bem mais cara que um bilhete.

A famosa gôndola de Veneza

O traghetto – espécie de “gôndola comunitária” – que atravessa o grande Canal.

A famosa gôndola de Veneza

A famosa gôndola de Veneza

O que falam de Veneza é verdade: um verdadeiro labirinto, com dezenas de vielas e pequenas ruas. Mas, não se preocupe! Os principais pontos turísticos – como a Ponte Rialto e a Piazza San Marco – são bem sinalizados de qualquer parte da cidade. Uma dica: tente se orientar por eles, pois será mais fácil do que tentar achar o nome de ruas.

Depois de descer do vaporetto e andar alguns minutos, cheguei ao Hotel Caneva. Simples, mas com funcionários bem atenciosos. O quarto estava limpo e o banheiro compartilhado era próximo ao quarto. O preço que paguei pela diária do hotel em alta temporada e a proximidade com a Ponte Rialto e a Piazza San Marco compensaram o inconveniente do banheiro compartilhado.

Em poucos minutos eu já estava caminhando pelas ruelas da cidade, infestadas com lojas de lembrancinhas. Dica: há dezenas de centenas de milhares de lojinhas vendendo as famosas lembrancinhas. São tantas máscaras de carnaval que chega a cansar os olhos. Lembre-se de não comprar na primeira que você encontrar. Os preços diferem muito. Em uma, vi um chaveiro fantástico por 5 euros. Em outra, o mesmo chaveiro por 6,20 euros. Mais tarde, achei em uma por 3,99 euros e acabei comprando em outra, o mesmo chaveiro, por 1,99 euros. Essa dica, evidentemente, não vale para peças diferentes e exclusivas pois, se você encontrar e deixar para comprar depois, provavelmente não encontrará a loja novamente.

Virando uma viela, atravessando uma pequena ponte, virando uma, duas, três vezes para a esquerda, depois para a direita, de repente, eu estava na Piazza San Marco. Eu ria, pulava de um lado para o outro, olhava tudo, prestando atenção em todos os detalhes. Se você me visse lá, com certeza pensaria que eu estava louco 😉 Não consigo esconder quando estou muito feliz! A fila para entrar era gigantesca e estavam todos debaixo daquele sol escaldante. Dica: sempre levo na bolsa uma sombrinha – aquelas dobráveis – para não ficar debaixo do sol muito quente quando estou em filas. Algumas pessoas não usam por vergonha, mas eu prefiro a sombrinha do que uma insolação!

A Basílica de San Marco

A Basílica de San Marco

Não há condições financeiras para se comer ou tomar um café na Piazza San Marco, somente se você for muito abastado. Um café pequeno custa, em média, 13 euros… Isso mesmo! Encontrei em locais afastados dos pontos turísticos o mesmo café por 1 euro. Como já estava próximo da hora do almoço, resolvi sair da área de concentração turística para encontrar um restaurante. Ao virar na saída da Piazza, encontrei a senhora que estava no trem comigo (aquela que o sonho era conhecer Veneza) andando juntamente com as acompanhantes e as malas, Disse que estavam completamente perdidas e não conseguiam encontrar o hotel. Sinceramente, fiquei com pena. Era o sonho dela conhecer Veneza, com estadia de apenas um dia, e metade do tempo gasto procurando o hotel, carregando as pesadas malas. Dica: não esqueçam do mapa com a localização do hotel e indicações de referências próximas.

Depois de olhar vários cardápios e restaurantes, encontrei um com preços convidativos. Em Veneza, os restaurantes servem pratos turísticos, com entrada, prato principal, salada e bebida, por um preço único. Essa opção é mais em conta do que pedir os pratos à la carte. Durante o almoço senti o restaurante balançar. Mais tarde, descobri que toda a cidade balança. Isso é óbvio ao lembrar que ela foi construída em cima da água, mas é algo que não passa despercebido, principalmente quando você deita na cama do hotel. Pense comigo: se eu estivesse em um barco, não seria estranho. Mas eu estava deitado em uma cama dentro de um prédio com alguns andares… Depois de um tempo você se acostuma e nem lembra desse detalhe.

Antes de iniciar o roteiro do dia, peguei o vaporetto nº 1. Essa linha dá a volta completa no Grande Canal de Veneza e é um passeio imperdível, sendo uma excelente alternativa para você se ambientar com a cidade e ver algumas atrações turísticas.

A Ponte Rialto

A Ponte Rialto

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Voltando com o vaporetto, desci na estação da Ponte Rialto. Centenas de turistas se acotovelavam na ponte, disputando um pequeno espaço para fotos ou para ver as lojas. Um aviso: não compre nada nas lojas da ponte. Em lojas um pouco mais afastadas você encontra os mesmos produtos com preços mais acessíveis. O mais interessante na ponte é a vista para o Grande Canal, belíssima para fotos. Se conseguir um espaço, aproveite 😉

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Seguindo o roteiro do dia, fui em direção ao Palazzo Ducale. Comprei antecipadamente pela internet o Venice Museum Pass que permite a entrada em vários locais por um preço único. O passe compensou? Sim, muito, pois apenas o valor do ingresso para entrar no Palazzo Ducale era quase 50% do valor do passe. Veja todas as informações sobre as atrações turísticas de Veneza nos posts da Categoria – Veneza.

Construído entre 1309 e 1424, o palácio foi a antiga sede do Doge de Veneza e da magistratura veneziana. Atualmente, é o Museu Cívico do Palazzo Ducale. Magnífico em sua decoração, possui pinturas espetaculares, como a de Tintoretto – o Paraíso – considerada a maior pintura em tela do mundo, localizada na sala mais importante do palácio: a Câmara do Grande Conselho, onde reuniões da legislatura eram organizadas. Na parte de trás do palácio, encontra-se a famosa Ponte dos Suspiros, anexa à prisão. É possível atravessá-la e conhecer o lugar onde os prisioneiros ficavam. Ao se deparar com a grandiosidade do palácio, você irá pensar: “Meu Deus, como isso não afunda?!”

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A parte externa do Palazzo Ducale

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E o interior do Palazzo

Próxima parada: o Museu Cá’Pesaro. Entrei no vaporetto nº1 e desci na estação San Stae. O museu não estava na minha lista de prioridades e entrou devido a um quadro do Klimt, um dos meus pintores favoritos. A obra que está no museu – Giuditta II, Salomé – foi tema de alguns estudos e desenhos que eu fiz. Descobri que a obra estava no museu devido as minhas pesquisas e planejamento da viagem. Sede da Galeria Internacional de Arte Moderna e do Museu de Arte Oriental, foi construído a pedido da nobre família Pesaro. Após, foi adquirido pela Duquesa Felicita Bevilacqua, que destinou o grandioso palácio para a galeria. Na coleção, há obras de Kandinsky, Klee, Matisse, etc. Ao me deparar com o quadro de Klimt, fiquei alguns minutos estudando os traços, cores, composição. Quem aprecia e estudo arte irá me entender…

Voltando para a região central, parei em uma das minhas construções preferidas da cidade: a Basílica de Santa Maria della Salute. Conta a História que a peste foi trazida para Veneza pelo conde de Mântua, que foi internado na ilha do Lazzaretto Vecchio, mas bastou ele entrar em contato com um carpinteiro local para que a infecção se estendesse por toda a cidade. Em 22 de março de 1630 o então patriarca de Veneza, Giovanni Tiepolo, fez uma promessa: “prometo solenemente erguer nesta cidade uma igreja e dedicá-la à Virgem Santíssima, chamando-a “Santa Maria della Salute”, e que cada ano no dia em que esta cidade seja declarada livre do presente mal, Sua Serenidade e Seus Sucessores irão solenemente com o Senado visitar dita igreja em perpétua memória da pública gratidão por tanto benefício”.

Em 26 de março, na Praça de São Marcos, o doge de Veneza Nicola Contarini, o clero e o povo reuniram-se para rezar. Quando a peste terminou tinham morrido 80.000 venezianos, e 600.000 no território da Sereníssima República, de Bréscia até Trieste, de Polesine a Belluno. Entre as pessoas que morreram, encontravam-se o doge e o patriarca da cidade. Em 28 de novembro de 1631 começou a construção da Basílica de Santa Maria della Salute. Confiada a Baldassare Longhena, a obra terminou em 9 de novembro de 1687, quando o patriarca Alvuse Sagredi a benzeu. Para poder erguer a basílica no local foi preciso cravar 1.156. 650 estacas no terreno e ganhar uma vasta área de solo ao mar. A arquitetura, o interior e o valor histórico fazem da Basílica uma das mais magníficas atrações de Veneza.

Basílica de Santa Maria della Salute. Foto: Wikipédia

Basílica de Santa Maria della Salute. Foto: Wikipédia

Sem forças para continuar, e com o sol descendo na linha do horizonte, voltei para o hotel para descansar. A troca de cidade-base é muito cansativa no primeiro dia, principalmente se a base será uma cidade agitada e repleta de turistas como Veneza. Mas eu não poderia reclamar de nada, afinal estava realizando um sonho da minha vida…

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